sexta-feira, 19 de abril de 2013

Grandes Pensadores: Friedrich Nietzsche

Em defesa da Cultura
Friedrich Nietzsche estava se recuperando em Basiléia, na Suíça, de uma doença que o atacara na Guerra Franco-Prussiana de 1870 (ao prestar serviço de assistência aos feridos do exército alemão), quando chegou-lhe uma terrível notícia. Em março de 1871 a população de Paris havia se rebelado contra o governo derrotado. Pior, os operários estavam pondo fogo nos grandes prédios públicos e depredando as obras de arte espalhadas pela capital francesa, entre elas a bela Coluna de Vendôme. Era a Comuna de Paris que havia sido proclamada no dia 18 de março de 1871, que se tornaria um dos mais violentos levantes populares da Europa do século XIX.

Foi um choque para ele. Ainda estonteado pelas informações que recebera, refugiou-se na casa do historiador da cultura Jacob Burckhardt (1818-1897), o célebre helenista e historiador da cultura, pesquisador da Itália renascentista, que igualmente estava desconsolado. Acreditaram os dois amigos que toda a arte ocidental estava ameaçada. Séculos de beleza estavam em vias de ser totalmente devastados pelo vandalismo das massas parisienses revoltadas.

Os episódios da Comuna de Paris foram fundamentais para o acirramento das posições políticas de Nietzsche. Onde Karl Marx viu um momento de bravura popular, Nietzsche identificou o surgimento de uma nova barbárie que era preciso deter a qualquer custo. A Comuna será, pois, o ponto de partida para uma série de escritos que ele desenvolveu ao longo dos próximos vinte anos seguintes e que o colocaria ao lado dos antidemocratas, dos anti-socialistas, e contra todo e qualquer tipo de pregação que visasse a igualdade, tornando-o um apologista da distinção.

Nietzsche como Anticristo
O ataque direto que Nietzsche desencadeou contra o cristianismo radicalizou-se com o seu "O Anticristo" (Der Antichrist), mas foi inicialmente exposto na A genealogia da moral (Zur Genealogie der Moral), de 1887. Argumentou que a ética cristã era uma moral de escravos, de gente fraca e vil que havia, através do cristianismo, desvirilizado o espírito senhorial e dominante dos aristocratas. A origem desse processo, segundo Nietzsche, remontava à aos tempos da Palestina ocupada pela raça romana, raça de senhores. Os judeus, impotentes em poder livra-se deles, terminaram por aperfeiçoar a psicologia do ressentimento provocando uma inversão dos valores. Tudo aquilo que era "débil", "humilde", "medíocre", eles apresentaram como "bom", enquanto palavras tais como "nobreza', "honra", "valor", foram vistas como "mal". O resultado desse trabalho de sapador, feito por séculos de pregação cristã, foi o enfraquecimento das energias vivificantes da sociedade ocidental, especialmente das suas elites, na medida em que o "doentio moralismo ensinou o homem a envergonhar-se de todos os seus instintos".
A rebelião dos escravos

A rebelião dos escravos na moral se deu devido a sua impotência para destruir com a escravidão (ou o seu avalista, o poder romano). A nova religião - o cristianismo - tornou-se o instrumento deles para canalizar o seu ódio impotente, um "ódio que tinha a contentar-se com uma vingança imaginária". O produto desse ressentimento foi fazer com que os escravos, a "raça inferior e baixa", tornassem tudo aquilo que fosse digno e nobre em algo pecaminoso. Transformaram a prostração e a pobreza em virtude, e a abjeta covardia de dar o outro lado da face em caso de agressão, num ato sublime de perdão.

Via, portanto, o cristianismo como uma doença maligna que havia atacado o Império Romano, contribuindo para que ele sucumbisse vitimado por uma espécie de "febre das catacumbas". E, pior, "a mentalidade aristocrática foi minada até o mais profundo de si própria pela mentira da igualdade das almas; e se a crença na prerrogativa da maioria faz e fará revolução - é ao cristianismo que devemos sua difusão. São os juízos de valores cristãos que qualquer revolução vem transformar em sangue e crime. O cristianismo é uma insurreição do que rasteja contra o que tem elevação: O Evangelho dos pequenos tornado baixo".

A volta às energias aristocráticas

Portanto, os nossos conceitos de bem e de mal eram estratagemas dos derrotados, que fizeram a façanha de substituir os valores superiores da nobreza. Dessa forma retiraram dela, enternecendo-a com rogos de piedade, a seiva necessária para aplicar uma política de mão firme para conter esse moderno movimento neobárbaro, cuja carantonha havia emergido na Comuna de Paris de 1871. O socialismo não passava de um "cristianismo degenerado [...] o anarquista e o cristão vêm da mesma cepa [...]". Era preciso, pois, primeiro, expurgar de si esta moral de gente covarde. Retornar às fontes de energia aristocráticas, aplicar uma política da impiedade, onde somente o mais nobre e o mais viril fosse tomado em consideração.

"Deus está morto!" Foi sua mais célebre proclamação. Como conseqüência, os homens deveriam buscar valores que transcendessem a moral convencional divulgada pelo cristianismo; um retorno "à ordem de castas, à ordem hierárquica [...] para a conservação da sociedade, para que sejam possíveis tipos mais elevados, tipos superiores - a desigualdade dos direitos é a condição necessária para que haja direitos". Concluiu dizendo: "Quais são aqueles que mais odeio no meio da canalha dos nossos dias? A canalha socialista, os apóstolos [...] mirando o instinto, o prazer, o contentamento do trabalhador no seu pequeno mundo - que o tornam invejoso, que lhe ensinam a vingança [...] a injustiça nunca reside na desigualdade dos direitos, ela está na reivindicação de direitos iguais".
Nietzsche e a História

Nietzsche rompeu também com a relação entre a Filosofia e a História que havia sido estabelecida por Hegel, entendida esta última como uma crônica da racionalidade. Considerava que "o excesso de história" parecia "hostil e perigoso à vida", limitador da ação humana, inibindo-a. Devia-se ousar, avançar perigosamente para o ilimitado, porque a racionalização histórica levava o homem a "perder-se ou destruir seu instinto fazendo com que ele não ouse soltar o freio do 'animal divino' quando a sua inteligência vacila e o seu caminho passa por desertos. O indivíduo torna-se então timorato e hesitante e perde a confiança em si..." terminando por fazer com que "a extirpação dos instintos pela história transforma os homens em outras tantas sombras e abstrações."
Instinto contra a Razão

Nietzsche recolocou claramente o confronto outrora posto pelos românticos quando opunham os instintos - geralmente entendidos como uma manifestação da pureza e autenticidade humana - à razão, símbolo do utilitarismo cinzento e materialista.

Opunha-se, como conseqüência, à idéia de que os acontecimentos históricos ensinavam os homens a não repeti-los, defendendo a teoria do eterno retorno, de remota inspiração na filosofia pitagórica e na física estóica, que compreendia a aceitação de periódicas destruições do mundo pelo fogo e seu ressurgimento. Desta forma, não só tudo poderia acontecer novamente como tudo poderia ser tentado outra vez.
 
Em busca do super-homem
A idéia da necessidade da formação de uma nova elite - não contaminada pelo cristianismo e pelo liberalismo - e que ao mesmo tempo os transcendesse, acometeu Nietzsche desde muito cedo. Pode-se dizer que já pensava assim nos seus tempo do internato em Pforta. Já naquele tempo mostrou-se obcecado pela formação de uma seleta falange intelectual responsável pela transmutação de todos os valores, cuja obrigação e dever maior era a proteção de uma cultura superior ameaçada pela vulgaridade democrática.

Fonte: Terra

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Compaixão

Segundo a filosofia budista a compaixão é o amor ativo, o que jamais pode ser confundido com dó ou piedade. Estes últimos não são exatamente sentimentos, trata-se de uma pseudo compaixão.

Cotidianamente deparamo-nos com  vítimas de acidentes, de catástrofes naturais, de doenças e, de uma forma geral, com pessoas que se encontram em situações de debilidade, o que nos desperta um compadecimento passivo, o qual acreditamos ser compaixão. Entretanto, independentemente do nome que damos a este estado mental despertado em relação ao outro, perceba que ele não somente é indiferente com relação à(s) pessoa(s) debilitada(s), como também isto não o torna melhor, ou seja, nada muda.

A verdadeira compaixão é resultado de uma alteração para melhor no nosso nível de consciência e,  necessariamente, promove uma mudança em todos aqueles que com ela conseguem travar canal de comunicação, ou seja, a compaixão é tanto causa quanto efeito, atuando em três níveis, senão vejamos:

Nível do SER

No nível do “ser”, a compaixão apoia toda a sua existência, pois ela é num primeiro momento resultado de uma autoconstrução, trata-se de uma união com a Natureza onde aflora o nosso verdadeiro “EU”, nosso verdadeiro “SER”. Este estado de consciência basta-se a si mesmo,  completa-se por estar conectado com o Universo. Portanto, deixa de depender das formas externas para estar bem, por isso, pode-se dizer que quem de fato alcança este estado de compaixão, por consequência também alcança um profundo estado de paz, harmonia e tranqüilidade,  que independe tanto do “ter” quanto do “fazer”.

No nível do FAZER

No nível do “fazer” a verdadeira compaixão difere muito do conceito comum de que ter compaixão necessariamente implica  fazer coisas, pois fazer passa a ser consequência do SER, o que não exclui a afirmação de que o SER também seja consequência do FAZER quando o consideramos como caminho de autoconhecimento.

Como não conseguimos atingir um estado de compaixão de imediato, necessário se faz  construirmo-nos a cada dia, e aí entra a importância do fazer, pois fazendo aprendemos e nos transformamos. Entretanto, quando já somos, ou seja, quando já tivermos atingido nosso estado de SER, agiremos sempre pelo motor da compaixão e, muitas vezes, a ação sequer é necessária, basta nossa presença para, então, contaminar as pessoas, plantas e animais com a energia de luz e harmonia que flui através de um ser com compaixão. Neste estágio, a ação acontece naturalmente e o fazer passa a ser uma ferramenta de união entre os polos, onde quem dá e quem recebe tornam-se uma unidade.

No nível do TER


No nível do ter, alguém imbuído de compaixão já entendeu que pode possuir tudo o que necessita, porém jamais será o dono. Possuir é relação temporal por necessidade, enquanto ter é relação de apego por identificação, ou seja, escravidão pelo objeto ou pessoa. Assim sendo, alguém com compaixão pode, sim, possuir muitos bens e riquezas materiais, porém sempre será o senhor delas e não o contrário.

Posto isto, podemos concluir que ter compaixão não significa, necessariamente, lamentar-se pelo outro, doar todos seus bens materiais para atender aos aclames daqueles que se dizem necessitados, pelo contrário, a compaixão independe de tudo isso, esta é uma visão ainda muito pobre do que de fato seja a compaixão.

A importância da empatia

Toda compaixão  inicia-se pelo desenvolvimento da capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, ou seja, vencermos nossa mente egoísta e conseguirmos ver e sentir as dificuldades do nosso irmão. A partir deste ponto floresce a compreensão, cessando os julgamentos e críticas e, somente daí, poderá vir uma ação consciente e oportuna para ajudar naquilo que de fato for necessário.

Destarte,

- Compaixão não é a entrega de um bem, compaixão é a entrega do “bem”.

- Compaixão é dar o peixe àquele que ainda não conseguiu aprender a pescar, por compreensão de seu atual estado de consciência.

- Compaixão é ensinar a pescar, por compreender que seu irmão ainda precisa do peixe.

- Compaixão é mostrar que é possível viver sem o peixe, ou mesmo que o tendo, que  não depende dele.

- Compaixão é um estado de SER tão profundo e pleno que torna desnecessária não somente a busca pelo “ter” como também pelo “fazer”.

- Compaixão não é ter dó, nem piedade, pois, enquanto a compaixão liberta, o dó e a piedade escravizam o ser.

- Compaixão é abrir mão de uma oportunidade em prol do outro, sem que ele saiba.